Alda Lima Falcão

De Biografias - Entomologistas Brasileiros

Alda Lima Falcão - Foi especialista em Entomologia Médica (1925-2019), entomóloga e pesquisadora brasileira.

Área de Atuação

Entomologia médica, Taxonomia de vetores, Entomologia, Parasitologia

Biografia

Alda nasceu na cidade de Aracati, no Ceará, em 1925. De família humilde, era a segunda filha entre cinco irmãos. No final da década de 1930, viu eclodir no país uma grande epidemia de malária, que atingiu especialmente a região nordeste, incluindo sua cidade. A epidemia causou muitas mortes entre 1938 e 1939, causada pelo mosquito Anopheles gambiae. Foi referência nacional em estudos sobre a Leishmaniose 2.

Trabalhou no Centro de Pesquisas René Rachou/Fundação Oswaldo Cruz. Tinha experiência na área de Parasitologia, com ênfase em Taxonomia de Flebotomíneos e formação de Recursos Humanos, atuando principalmente nos seguintes temas: Phlebotominae, Psychodidae, Lutzomyia e Capacitação. Homenageada com o título de Pesquisador Emérito pela Fundação Oswaldo Cruz3.

Sua trajetória profissional, iniciada em 1939, aos 14 anos, esteve ligada a instituições da área da saúde pública. Atuou no Serviço de Malária do Nordeste (1939-1942), no Serviço Nacional de Malária (1942-1956) e no Instituto Nacional de Endemias Rurais (1956-1975), que a partir de 1976 passou a fazer parte da Fiocruz. Nessa instituição foi pesquisadora e chefe do Laboratório de Leishmanioses do Centro de Pesquisas René Rachou, como também curadora da Coleção de Flebotomíneos. Em 1958 frequentou o curso de especialização em entomologia médica da Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Aposentou-se em 1994, mas permaneceu desenvolvendo seus trabalhos sobre sistemática de flebotomíneos4.

Em 1950, Alda casou-se com Alberto Rocha Falcão, um controlador de voo em Recife. Em 1952, mudaram-se para Belo Horizonte. Alberto mudou de profissão e ambos começaram a trabalhar no Serviço Nacional de Malária utilizando a infraestrutura do laboratório de entomologia da Fundação Ezequiel Dias5.

Iniciou a formação da Coleção de Flebotomíneos da Fiocruz, que hoje é considerada uma das mais importantes coleções de flebotomíneos do mundo. A coleção tem aproximadamente 92.000 espécimes de flebotomina distribuídos por 370 espécies das Américas e 43 outras espécies dos gêneros Phlebotomus and Sergentomyia da Europa, Ásia e África. Em 1958, Alda cursou um curso de entomologia médica na escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Na formação profissional sobre taxonomia, seu curso pioneiro de flebotomínicos, formou 190 profissionais e estudantes de todas as regiões brasileiras na arte da identificação com flebotomíneos. Todos esses profissionais e alunos foram cuidadosamente gravados em um caderno que ela chamou de “caderno vermelho” (caderno vermelho)5.

Diante da vocação de ensinar, Alda criou o Centro de Referência Nacional e Internacional para Flebotomíneos em 1991, que prestou valiosos serviços para a vigilância em saúde no Brasil. Durante sua carreira, ela publicou um livro e 101 artigos científicos, o primeiro sobre culicídios e outros sobre flebotomínicos e leishmaniose. Ela descreveu 43 novas espécies, um novo subgênero e um gênero de flebotomínicos. Descrições da espécie Evandromyia aldafalcaoae (Santos, Andrade-Filho, & Honer, 2002), Pintomyia limafalcaae Wolf & Galati, 2002 e Pintomyia falcaorum Brasil & Andrade-Filho, 2002, bem como criação do subgênero Aldamyia (Galati, 2003), foram feitas em sua homenagem5.

Alda foi chefe do Laboratório de Leishmanioses no Instituto René Rachou de 1976 a 1994. Em 1994, ela foi forçada a se aposentar, já que tinha 70 anos de idade. Durante seu mandato, ela passou por um episódio que, segundo ela, foi o episódio mais desagradável de sua carreira. Foi devido à má interpretação de um regulamento federal de 1990 que impediu que funcionários públicos relacionados trabalhassem juntos1. Assim, Alda Falcão e seu marido Alberto Falcão não podiam mais trabalhar no mesmo laboratório e Alda, como chefe do laboratório, aplicou a norma de forma muito involuntária. Alda Falcão estabeleceu uma clínica para leishmaniose no Instituto René Rachou, local que atualmente leva seu nome. Ela fazia parte de um grupo de especialistas em flebotominas chamado grupo CIPA (Identificação de Flebotomíneos Auxiliados por Computadores de flébotomas das Américas). Em 1991, foi premiada com a Medalha Meio de Contribuição a Ciência pela Fiocruz. Em 2005, tornou-se Pesquisadora Honorária pela Fundação Oswaldo Cruz. Pouco tempo depois, em 2007, recebeu o título de Pesquisadora Emérita da Fiocruz5.

Prêmios e Títulos2

Medalha Meio século de Contribuição a Ciência da Fiocruz (1991)

Pesquisadora Honorária pela Fundação Oswaldo Cruz (2005)

Pesquisadora Emérita da Fiocruz (2007)

Fontes

1. - Alda Lima Falcão - Galeria de Honra

2. Alda Lima Falcão - Wikipédia

3. Lattes preservado

4. Fundo AF - Alda Falcão

5. Alda Lima Falcão (★1925 †2019) Obituary - Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical., 52: 2019